Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, publicado em 1919 e obra da maturidade de Lima Barreto (1881-1922), é um dos textos mais importantes do autor. Ao mesmo tempo, trata-se de um dos livros menos compreendidos e estudados desse ficcionista que, como nenhum outro, retratou a iniquidade das relações étnico-sociais no Brasil. O narrador-personagem é Augusto Machado, funcionário público que trava conhecimento com M. J. Gonzaga de Sá também funcionário público, da ficcional Secretaria dos Cultos, e descendente de portugueses fundadores do Rio de Janeiro. Machado decide contar a vida deste solteirão erudito, com quem, por diversas vezes, percorre bairros da então capital federal inclusive a periferia observando o cotidiano e a vida das pessoas. O que Lima Barreto faz é destrinchar de forma mordaz as relações sociais na capital da jovem República, retratando áreas suburbanas e periféricas que não são espaços de poder e nem tampouco eram considerados cenários literários. Um romance revelador para se pensar o peso do eurocentrismo, do elitismo e do clientelismo na formação do país. Metadado a